O presente artigo analisa diferentes interpretações construídas em torno do legado intelectual de Karl Marx e os processos históricos que contribuíram para a constituição de distintas tradições marxistas. Parte-se da compreensão de que a obra marxiana constitui uma interpretação histórica e crítica da sociedade capitalista, cuja finalidade ultrapassa a explicação da realidade, relacionando-se também à perspectiva de sua transformação. A partir desse pressuposto, discutem-se o contexto de formação do pensamento de Marx, a constituição dos marxismos, as controvérsias presentes na Segunda Internacional, as contribuições de Lenin e Rosa Luxemburgo para a análise das transformações do capitalismo, bem como o processo de institucionalização e dogmatização de determinadas interpretações marxistas no decorrer do século XX. Por fim, são consideradas algumas das tentativas de renovação da tradição marxista, especialmente aquelas que procuraram recuperar a historicidade, a crítica e a dimensão dialética presentes na obra de Marx. Sustenta-se que um dos principais limites dos marxismos se manifesta quando uma teoria essencialmente histórica e crítica é convertida em doutrina fechada, afastando-se da análise concreta das transformações da sociedade capitalista.