Este artigo pretende mostrar, a partir da análise da imagem de um bote do rio Tocantins, aspectos da cultura e cotidiano da vida ribeirinha nas longas viagens fluviais das cidades localizadas no Alto Tocantins até o porto de Belém (PA). Essas embarcações movidas à força humana (entre 12 e 24 remeiros) gastavam em uma viagem de ida e volta entre quatro e seis meses de duração, e foram o meio de transporte mais utilizado na região desde o século XIX até meados do século XX, quando da abertura da rodovia Belém-Brasília. A imagem em foco é vista pela perspectiva de um lugar de memória (Nora, 1993) sendo, portanto, um precioso documento histórico, vestígio do passado que faz parte da História da vida ribeirinha tocantinense
This paper aims to show, based on the analysis of the image of aboat from the river Tocantins, aspects of culture and everyday life in the river in the long fluvial trips from the cities located in the Upper Tocantins to the port of Belém (PA). These vessels moved by human power (among 12 and 24 rowers) spent in a round trip between four and six months of duration, and they were the most used means of transportation in the region since the nineteenth century until the mid- twentieth century, when the opening of the Belem- Brasilia highway. The image focus is seen by the prospect of a place of memory (Nora, 1993) being therefore a precious historical document, vestige that is part of the History of Tocantins river life.