No Brasil a cultura africana foi durante muito tempo tratada de forma pejorativa e preconceituosa. Embora erradicadas das grades curriculares das escolas, negada na mídia e nas políticas públicas, esteve sempre presente na vida dos brasileiros, seja na música, alimentação ou nas palavras do seu dia a dia. Este ensaio faz um paralelo entre os mitos sagrados de Oxum e Nossa Senhora Aparecida buscando verificar as questões de gênero e africanidade que estão envolvidos na expressão religiosa do Candomblé e Catolicismo. O ponto de partida deste estudo foi o pensamento mítico como conhecimento capaz de retratar uma cultura, sociedade e psiquê humana. Posteriormente abordamos os mitos de Oxum e Nossa Senhora Aparecida, seus sincretismos e expressões de gênero. Observou-se que as duas religiões, apesar de cultuarem a figura de mulheres negras, distinguem-se profundamente na sua relação com as mulheres afro-latinas.