Objetivo: avaliar as características sociodemográficas, clínicas e laboratoriais de crianças e adolescentes hospitalizados por meningite asséptica no estado de Mato Grosso, no período de 2014 a 2023, bem como o possível impacto da pandemia de COVID-19. Métodos: estudo retrospectivo com análise de 231 hospitalizações registradas no período. Foram avaliadas variáveis sociodemográficas, clínicas e laboratoriais, com análise estatística realizada por meio do software Epi Info. Resultados: a maior incidência ocorreu em 2014, com 67 notificações (29,0%), seguida de redução progressiva dos casos,
especialmente em 2020 (2,60%) e 2021 (2,16%), período correspondente à pandemia. A meningite asséptica predominou no sexo masculino (58,87%) e a maioria das crianças e adolescentes residia em áreas urbanas (88,31%). Em relação ao contato com casos suspeitos ou confirmados, 64,07% não relataram exposição. Entre as manifestações clínicas, destacaram-se febre (88,74%), vômitos (77,49%), cefaleia (69,26%), rigidez de nuca (51,52%) e convulsões (21,21%). Os sinais de Kernig e Brudzinski estavam presentes em 7,36% dos casos, enquanto o abaulamento de fontanela foi observado em 6,49%. O exame quimiocitológico do líquor foi realizado em 86,58% dos casos, sendo que a maioria apresentou LCR de aspecto límpido (74,89%). A reação em cadeia da polimerase (PCR), embora recomendada, foi utilizada em apenas 0,87% dos casos, e o isolamento viral em 0,43%. A evolução clínica foi favorável na maioria dos pacientes, com alta hospitalar em 93,94% dos casos, e a taxa de letalidade foi de 2,60%. Conclusão: A meningite asséptica permaneceu uma condição relevante na população estudada. A redução dos casos durante o período pandêmico pode refletir subnotificação. O fortalecimento da vigilância em saúde e a ampliação do uso de métodos moleculares podem contribuir para maior precisão diagnóstica e melhor orientação do manejo clínico da meningite asséptica.
Objective: to evaluate the sociodemographic, clinical, and laboratory characteristics of children and adolescents hospitalized with aseptic meningitis in the state of Mato Grosso, Brazil, from 2014 to 2023, as well as the possible impact of the COVID-19 pandemic. Methods: a retrospective study analyzing
231 hospitalizations recorded during the study period. Sociodemographic, clinical, and laboratory variables were evaluated, and statistical analysis was performed using Epi Info software. Results: the highest incidence occurred in 2014, with 67 reported cases (29,0%), followed by a progressive reduction
in cases, particularly in 2020 (2,60%) and 2021 (2,16%), corresponding to the pandemic period. Aseptic meningitis predominated among males (58,87%), and most children and adolescents lived in urban areas (88,31%). Regarding contact with suspected or confirmed cases, 64,07% reported no known
exposure. Among the clinical manifestations, fever (88,74%), vomiting (77,49%), headache (69,26%), neck stiffness (51,52%), and seizures (21,21%) were the most common. Kernig’s and Brudzinski’s signs were present in 7,36% of cases, while bulging fontanelle was observed in 6.49%. Cerebrospinal fluid
cytochemical analysis was performed in 86.58% of cases, with most samples presenting a clear appearance (74,89%). Polymerase chain reaction (PCR), although recommended, was used in only 0,87% of cases, and viral isolation in 0,43%. Clinical outcomes were favorable in most patients, with hospital
discharge in 93,94% of cases, and a case fatality rate of 2,60%. Conclusion: Aseptic meningitis remained a relevant condition in the studied population. The reduction in cases during the pandemic period may reflect underreporting. Strengthening health surveillance and expanding the use of molecular
diagnostic methods may improve diagnostic accuracy and help guide the clinical management of aseptic meningitis.