Objetivo: conhecer a atuação de enfermeiras da Atenção Primária à Saúde sobre as práticas e crenças populares na atenção à saúde das crianças. Métodos: estudo qualitativo desenvolvido com nove enfermeiras em quatro unidades de Estratégia Saúde da Família. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada, guiada por um roteiro de perguntas abertas e fechadas. Utilizou-se a análise de conteúdo. Resultados: estão organizados em duas categorias temáticas: Percepções das enfermeiras sobre as práticas e crenças populares relacionadas à saúde da criança e Condutas das enfermeiras na abordagem de práticas culturais na saúde da criança: estratégias de atuação. Os profissionais reconhecem o uso de práticas populares e compreendem sua construção histórica e cultural. Utilizam-se de recursos como comunicação adaptada, vínculo e educação em saúde como estratégias de atuação. Conclusão: as enfermeiras manejam as crenças populares no cuidado infantil por meio de diálogo e vínculo, destacando a puericultura como espaço de negociação de saberes. Isso amplia o papel da enfermagem no cuidado culturalmente sensível na Atenção Primária à Saúde. Contribuições para a prática: a inclusão dessa temática durante a graduação e em espaços de educação permanente podem contribuir para a formação dos profissionais e o protagonismo dos sujeitos nos processos terapêuticos.
Objective: to understand the role of Primary Health Care nurses in relation to popular practices and beliefs in children’s health care. Methods: qualitative study conducted with nine nurses in four Family Health Strategy units. Data were collected through semi-structured interviews guided by a script of open- and closed-ended questions. Content analysis was used. Results: organized into two thematic categories: Nurses’ perceptions of popular practices and beliefs related to children’s health, and Nurses’ conduct in addressing cultural practices in children’s health: strategies for action. Professionals recognize the use of popular practices and understand their historical and cultural construction. They use strategies such as adapted communication, bonding, and health education to act. Conclusion: nurses manage popular beliefs in childcare through dialogue and bonding, highlighting childcare as a space for negotiating knowledge. This expands the role of nursing in culturally sensitive care in Primary Health Care. Contributions to practice: the inclusion of this theme during undergraduate studies and in continuing education spaces can contribute to the training of professionals and the protagonism of subjects in therapeutic processes.