É um trabalho de pesquisa sobre pentecostalismo, gênero e sexualidade realizado com um grupo de evangelização pentecostal que busca alcançar travestis prostituídas no bairro Constitución da Cidade de Buenos Aires. O corpus analisado foi construído com base em intenso trabalho de campo, observações com participação e entrevistas em profundidade com líderes e participantes do grupo. A partir de uma perspectiva performática na análise das identificações religiosas e genéricas, este artigo reflete sobre a participação grupal e a guerra espiritual (que se realiza tanto ao nível do território como dos corpos entendidos como territórios) como forma de criar, reafirmar e também enfatizando as relações entre a filiação religiosa e as identificações de gênero e sexualidade que ela exige. A narrativa da restauração sexual que aparece no discurso dos praticantes é analisada como uma forma específica de cura que supõe um retorno imaginário a um ideal de continuidade entre sexo, gênero e orientação do desejo sexual. O estudo da prática corporal e discursiva do ativismo evangélico permite uma nova forma de abordar o complexo e tenso processo de produção social de subjetividades por meio do qual os corpos são moralizados e genéricos e a moral religiosa se concretiza.