Por uma abordagem decolonial de África Antiga: Amanirenas e Amanishaketo (séc. II AEC–I EC)

Revista Ágora

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ISSN: 1980-0096
Editor Chefe: Adriana Pereira Campos e Kátia Sausen da Motta
Início Publicação: 01/01/2005
Periodicidade: Anual
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: História

Por uma abordagem decolonial de África Antiga: Amanirenas e Amanishaketo (séc. II AEC–I EC)

Ano: 2026 | Volume: 37 | Número: Não se aplica
Autores: C. A. Lima Barros
Autor Correspondente: C. A. Lima Barros | [email protected]

Palavras-chave: candaces; colonialidade; kush; decolonialidade

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Ao longo dos séculos, o continente africano foi atravessado por discursos etnocêntricos, racistas e colonialistas que contribuíram para a construção de imagens estereotipadas sobre suas sociedades, culturas e relações de gênero. Entre os impactos dessas perspectivas está a difusão de concepções coloniais que associaram as mulheres africanas à submissão, à exclusão sociopolítica e à dependência masculina, apagando experiências históricas de protagonismo feminino existentes antes da colonização. Buscando contribuir para o enfrentamento dessas narrativas, este artigo propõe uma abordagem decolonial da colonialidade de gênero a partir de um retorno à Antiguidade africana, com foco nas figuras das KTKE/KDKE, popularmente conhecidas como Candaces, governantes-guerreiras do Reino de Kush. A partir das trajetórias de Amanirenas e Amanishakheto, o estudo discute como essas lideranças femininas evidenciam formas de poder, de participação política e de autoridade militar exercidas por mulheres africanas em contextos pré-coloniais. Dessa forma, o artigo articula os estudos sobre a África Antiga e as Candaces como possibilidades historiográficas de enfrentamento às permanências da colonialidade, contribuindo para a valorização de historicidades africanas frequentemente apagadas ou marginalizadas pelas narrativas coloniais.



Resumo Inglês:

Throughout the centuries, the African continent has been traversed by ethnocentric, racist, and colonialist discourses that have contributed to the construction of stereotypical images of its societies, cultures, and gender relations. Among the impacts of these perspectives is the dissemination of colonial conceptions that associated African women with submission, sociopolitical exclusion, and male dependence, erasing historical experiences of female protagonism that existed before colonization. Seeking to contribute to confronting these narratives, this article proposes a decolonial approach to gender coloniality through a return to African antiquity, focusing on the figures of the KTKE/KDKE, popularly known as Candaces, warrior-rulers of the Kingdom of Kush. Based on the trajectories of Amanirenas and Amanishakheto, the study discusses how these female leaders demonstrate forms of power, political participation, and military authority exercised by African women in pre-colonial contexts. In this way, the article articulates studies on Ancient Africa and the Candaces as historiographical possibilities for confronting the remnants of coloniality, contributing to the valorization of African historicities that are frequently erased or marginalized by colonial narratives.



Resumo Espanhol:

A lo largo de los siglos, el continente africano ha sido atravesado por discursos etnocéntricos, racistas y colonialistas que han contribuido a la construcción de imágenes estereotipadas de sus sociedades, culturas y relaciones de género. Entre los impactos de estas perspectivas se encuentra la difusión de concepciones coloniales que asociaban a las mujeres africanas con la sumisión, la exclusión sociopolítica y la dependencia masculina, borrando las experiencias históricas de protagonismo femenino que existían antes de la colonización. Con el fin de contribuir a confrontar estas narrativas, este artículo propone un enfoque decolonial de la colonialidad de género mediante un retorno a la antigüedad africana, centrándose en las figuras de las KTKE/KDKE, popularmente conocidas como Candaces, guerreras gobernantes del Reino de Kush. Basándose en las trayectorias de Amanirenas y Amanishakheto, el estudio analiza cómo estas líderes femeninas demuestran formas de poder, participación política y autoridad militar ejercidas por las mujeres africanas en contextos precoloniales. De este modo, el artículo articula los estudios sobre la Antigua África y las Candaces como posibilidades historiográficas para abordar los vestigios de la colonialidad, contribuyendo a la valorización de las historicidades africanas que con frecuencia son borradas o marginadas por las narrativas coloniales.