Este artigo teve como objetivo lançar luz a duas práticas pedagógicas realizadas por dois professores oriundos do Instituto Benjamin Constant, instituição especializada referência em deficiência visual. A temática de “Gênero e Sexualidade” ganhou centralidade nas metodologias adotadas direcionadas a grupos de educandos com deficiência visual. Foi observada a construção de estereótipos dos educandos cegos e com baixa visão enquanto passíveis de subjetivação ou desprovidos de sexualidade por seus familiares e parte dos professores. Diante deste contexto, surgem os projetos “Roda de Conversa” no anos iniciais e “Caminhos da Inclusão: sexualidade, aids e deficiência” nos anos finais do ensino fundamental, sob supervisão dos referidos professores nos anos de 2018 e 2019. As metodologias adotadas levaram em consideração os questionamentos previamente levantados pelos educandos com deficiência visual e a construção do conhecimento a partir de um processo dialógico e aberto. A roda de conversa sobre o assunto “A violência contra a mulher na nossa sociedade” revelou um espaço de múltiplos questionamentos, desconstrução de comportamentos machistas e reflexões sobre a divisão sexual do trabalho nos diversos espaços. Embora tenha sido recorrente colocações de fixação de papeis de gênero na sociedade, o projeto Caminhos da Inclusão elucidou colocações amadurecidas sobre desigualdades entre homem e mulher e capacitismo na sociedade.