O presente trabalho discute trajetórias acadêmicas de três mulheres negras e cotistas dos cursos de Medicina, Direito e Psicologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O ingresso e permanência de mulheres negras na universidade são, geralmente, marcados por dificuldades relacionadas ao processo histórico de negação de determinadas populações a espaços de produção de conhecimento. O estudo evidencia elementos que, na contramão desse processo, fomentaram a permanência universitária, destacando as ações afirmativas. Trata-se de um estudo de casos. Como resultados, ressaltam-se: como as experiências raciais incidiram sobre o desejo de ingressar no ensino superior; efeitos das políticas públicas, redes sociais/afetivas e atividades universitárias nas trajetórias; e repercussões do racismo na saúde mental. Incluir a perspectiva racial nos estudos é construir subsídios para políticas mais amplas de reparação das desigualdades raciais, sociais e de gênero.