Neste artigo pretendemos discutir a relação entre o uso e a propaganda de medicamentos na atualidade
tendo como base de discussão a chamada cultura do consumo. Queremos pensar a publicidade como
um instrumento capaz de potencializar a crença no poder dos fármacos, apresentando-os como sÃntese
de ciência e tecnologia a serviço da saúde e do bem-estar e, sobretudo, como solução rápida para
problemas tÃpicos do mundo contemporâneo. O dever de consumir os mais recentes produtos vem se
tornando condição não apenas de uma afirmação social como também uma via única para aplacar
nossas dificuldades diárias. Inseridos nesta lógica do consumo, entendida como apropriação, criamos,
com a ajuda da publicidade, um mundo de promessas de soluções imediatas facilmente vendidas no
comércio virtual, nos supermercados, nas lojas de departamentos, nos shoppings centers. Queremos
problematizar este conjunto de práticas e valores contemporâneos que vêm tornando o nosso modo de
viver um produto descartável.
The aim of this article is to discuss the relation between the contemporary use and advertising of
pharmaceutical drugs based on the so-called culture of consumption. We discuss advertising as a
means of strengthening the belief in the power of these drugs, presenting them as a synthesis of
science and technology to promote health and well being and, particularly, as a quick solution for
typical problems of the contemporary world. The obligation to buy the latest medicines is becoming a
symbol of social affirmation as well as the only way to weaken our daily problems. Using a logic of
consumption as ownership, we create, with the help of advertising, a world of promises concerning
immediate solutions, easily sold through on line shopping, supermarkets, department stores and
shopping centers. We discuss this set of contemporary practices and values which are turning our way
of life into a disposable product.