Observando uma tendência à fragmentação e à falta de interlocução teórica na atual produção bibliográfica brasileira sobre ação coletiva e associativismo, buscamos nesse trabalho apresentar possíveis encontros entre a Teoria da Mobilização de Recursos e a noção de identidade. Nossa problemática visa responder como aspectos simbólicos e identitários da vida associativa se entrelaçam com a necessidade de mobilizar recursos e tomar decisões estratégicas em um processo organizativo. Para tanto, estudamos a ONG CAMP, localizada no município de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Em termos metodológicos nos apoiamos, principalmente, no conceito de identidade de Alberto Melucci e de disputas simbólicas de Pierre Bourdieu. Nossas análises estão centradas nas disputas simbólicas em torno da definição dos fins e dos meios da entidade, dando ênfase na gestão da política de comunicação. As conclusões apontam para o fortalecimento de uma lógica de atuação na qual a entidade se entende como um ator social, sendo esse processo acompanhado por tensões e disputas internas que se refletem na política de comunicação.