Reflexões sobre liberdade e libertação em Hannah Arendt a partir da palestra Liberdade para ser livre

Kairós

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ISSN: 2357-9420/1807-5096
Editor Chefe: Dr. Renato Moreira de Abrantes
Início Publicação: 20/01/2004
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Antropologia, Área de Estudo: Ciência política, Área de Estudo: Educação, Área de Estudo: Filosofia, Área de Estudo: Psicologia, Área de Estudo: Sociologia, Área de Estudo: Teologia, Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Multidisciplinar, Área de Estudo: Multidisciplinar

Reflexões sobre liberdade e libertação em Hannah Arendt a partir da palestra Liberdade para ser livre

Ano: 2023 | Volume: 19 | Número: 2
Autores: L. Rocha
Autor Correspondente: L. Rocha | [email protected]

Palavras-chave: Revolução, liberdade, libertação, necessidade, Hannah Arendt.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

A sentença arendtiana de que a razão de ser da política é a liberdade é o fio condutor argumentativo que fundamenta a palestra The Freedom to Be Free (Liberdade para ser livre), proferida na década de 1960. Nela, Hannah Arendt analisa o sentido da política através da investigação sobre as revoluções, seja aquelas já elencadas em Sobre a Revolução, a saber, a Americana e a Francesa, seja à luz daquelas que irromperam após a Segunda Guerra Mundial, como é o caso da Revolução Húngara. A justificativa para este recorte reside na constatação de que os eventos revolucionários, além de serem centelhas de iluminação política em tempos de obscuridade pública, ainda ressaltam as diferenças entre liberdade e libertação, demonstrando que quando a segunda se torna a força motriz dos movimentos políticos, as necessidades pré- políticas invadem a cena pública, frequentemente reverberando em terror. A consequência dessa inversão é a dissolução da esfera pública enquanto campo profícuo para a deliberação e, por conseguinte, a impossibilidade dos homens desfrutarem da liberdade pública. Partindo desta argumentação, o objetivo do artigo é analisar a diferença entre liberdade e libertação, assinalando porque a libertação da miséria e de sua invisibilidade inerente deve, necessariamente, preceder a instauração de um regime em que os indivíduos disporão das condições para desfrutar do duplo vértice da liberdade enquanto fim em si mesma: tanto a independência com relação à opressão e ao medo quanto o sobrepujamento da indigência.



Resumo Inglês:

Arendt's sentence that the raison d'être of politics is freedom is the argumentative thread that underpins the lecture The Freedom to Be Free, given in the 1960s. In it, Hannah Arendt analyzes the meaning of politics through investigation into revolutions, whether those already listed in On the Revolution, namely the American and French, or in light of those that broke out after the Second World War, as is the case of the Hungarian Revolution. The justification for this approach lies in the observation that revolutionary events, in addition to being sparks of political illumination in times of public darkness, also highlight the differences between freedom and liberation, demonstrating that when the latter becomes the driving force of political movements, pre-political needs invade the public scene, often reverberating in terror. The consequence of this inversion is the dissolution of the public sphere as a fruitful field for deliberation and, consequently, the impossibility of men enjoying public freedom. Based on this argument, the objective of the article is to analyze the difference between freedom and liberation, highlighting why liberation from misery and its inherent invisibility must necessarily precede the establishment of a regime in which individuals will have the conditions to enjoy the double vertex of freedom as an end in itself: both independence in relation to oppression and fear and the overcoming of indigence.