O artigo analisa a experiência do Assentamento Milton Santos, localizado na região de Campinas (SP), no contexto da política pública de reforma agrária e da proposta da Comuna da Terra. A partir de pesquisa de campo realizada entre 2010 e 2012, busca-se compreender os desafios enfrentados pelos assentados na consolidação do território conquistado e na relação com as instituições públicas. A análise discute as tensões entre o projeto político do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e as limitações impostas pela burocracia estatal, evidenciando o modo como a resistência cotidiana e a autogestão comunitária tornam-se estratégias fundamentais de permanência. As falas dos moradores revelam as contradições e potências do processo, mostrando que a reforma agrária segue em movimento – não como política concluída, mas como construção coletiva e permanente.