Este artigo analisa a relação entre comportamento escolar e aprendizagem a partir de um estudo de caso realizado em uma turma do 2º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública da cidade de São Paulo. A investigação fundamenta-se no Materialismo Histórico-Dialético (MHD) e na Teoria Histórico-Cultural (THC), especialmente nas contribuições de Vigotski, Leontiev e Davidov, compreendendo o comportamento e a aprendizagem como fenômenos historicamente produzidos e mediados pela atividade e pelas relações sociais. O objetivo do estudo é compreender como as manifestações comportamentais observadas no coletivo da turma expressam processos de desenvolvimento e de apropriação das condições pedagógicas, bem como analisar de que modo a organização intencional do ensino pode criar condições para o avanço da aprendizagem escolar. A análise apoia-se em episódios pedagógicos significativos, envolvendo diferentes estudantes — identificados por pseudônimos —, nos quais se evidenciam contradições entre as exigências escolares, os sentidos atribuídos à atividade e as possibilidades reais de participação das crianças. Os resultados indicam que o comportamento não pode ser interpretado de forma isolada ou moralizante, uma vez que expressa modos de relação das crianças com a atividade de ensino e com as mediações pedagógicas oferecidas. Conclui-se que a aprendizagem escolar, quando intencionalmente organizada, promove reorganizações qualitativas no psiquismo infantil, possibilitando alterações qualitativas nos modos de relação das crianças com a atividade de ensino, deslocando o sentido de comportamentos inicialmente compreendidos como obstáculos no processo educativo.