Este estudo é resultado de uma pesquisa que investigou sobre representações sociais e processos reprodutivos de mulheres atendidas em serviços do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Tendo como interlocutoras profissionais desses serviços e buscando olhar para suas práticas, nossos objetivos são: (a) pensar sobre quais representações sociais se associam aos processos reprodutivos das mulheres atendidas no SUAS e, (b) refletir sobre as interseccionalidades entre gênero, classe social e raça nesse campo. Tendo como base a metodologia qualitativa, realizaram-se entrevistas semiestruturadas com 12 profissionais. A partir da Psicologia Social Crítica, da Teoria das Representações Sociais, da perspectiva dos Direitos Sexuais e Reprodutivos e feministas decoloniais e feministas interseccionais, utilizamos campos culturais como organizadores das análises. Percebemos que as representações socias das profissionais sobre os processos reprodutivos das mulheres atendidas ainda estão associadas à família, maternidade e ao controle de natalidade, existindo pouca articulação entre gênero, classe e raça. Todavia, novas ideias de cunho crítico também estão emergindo, especialmente ao que se refere à paternidade e lugar dos homens na reprodução e cuidado da família, indicando a dinamicidade das representações sociais.