Retrocesso do Programa de Controle da Esquistossomose no estado de maior prevalência da doença no Brasil

Revista Pan-Amazônica de Saúde (RPAS)

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ISSN: 2176-6223
Editor Chefe: Dóris A. S. Corrêa e Isabella M. A. Mateus
Início Publicação: 02/01/2010
Periodicidade: Trimestral
Área de Estudo: Ciências Biológicas, Área de Estudo: Ciências da Saúde, Área de Estudo: Multidisciplinar

Retrocesso do Programa de Controle da Esquistossomose no estado de maior prevalência da doença no Brasil

Ano: 2020 | Volume: 11 | Número: 1
Autores: José Icaro Nunes Cruz, Gabriela de Oliveira Salazar, Roseli La Corte
Autor Correspondente: Roseli La Corte | [email protected]

Palavras-chave: Esquistossomose, schistosoma mansoni, saúde pública, epidemiologia, doenças negligenciadas

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

OBJETIVO: Descrever o quadro epidemiológico da esquistossomose no contexto do Programa de Controle da Esquistossomose (PCE) no estado de Sergipe, Brasil. MATERIAIS E MÉTODOS: Foi desenvolvido um estudo ecológico de séries temporais, baseado em dados secundários do Sistema de Informação do Programa de Controle da Esquistossomose da Secretária Estadual de Saúde de Sergipe, de 2008 a 2017. As informações extraídas foram analisadas com os programas TabWin, Joinpoint Regression e BioEstat. RESULTADOS: Em média, 36,7 ± 5,6 municípios participaram do PCE no período, com o total de 677.841 exames realizados, dos quais 59.996 foram positivos (média anual de 8,6% ± 1,2%); 4.566 dos casos positivos apresentaram alta carga parasitária (média de 7,9% ± 2,1%). De todos os casos positivos, 42.779 foram tratados (média de 68,7% ± 9,5%). O percentual de casos com alta carga parasitária apresentou tendência crescente estatisticamente significante (5,7% ao ano). Apresentaram tendência decrescente estatisticamente significante a adesão de municípios ao PCE (4,0% por ano) e o número de exames realizados (9,6% por ano). Em relação à distribuição espacial da esquistossomose, em 2011, ano de maior adesão de municípios ao PCE, cinco, 30 e 10 municípios foram, respectivamente, considerados de alta, média e baixa endemicidade. Em 2017, Siriri foi considerado como de alta endemicidade, 20 municípios foram de média endemicidade e cinco de baixa endemicidade. CONCLUSÃO: As ações do PCE diminuíram em Sergipe, o que somado à aparente subnotificação e ao aumento de casos com alta carga parasitária, compromete os ganhos obtidos no controle da doença.



Resumo Inglês:

OBJECTIVE: To describe the epidemiological picture of schistosomiasis in the context of the Schistosomiasis Control Program (SCP) in Sergipe State, Brazil. MATERIALS AND METHODS: An ecological time series study was conducted based on secondary data from the Information System of the Schistosomiasis Control Program of the State Secretary of Health of Sergipe, 2008-2017. Data were analyzed using TabWin, Joinpoint Regression, and BioEstat. RESULTS: On average, 36.7 ± 5.6 municipalities participated in the SCP, with 677,841 exams performed, of which 59,996 were positive (annual average of 8.6% ± 1.2%); 4,566 of the positive cases had a high parasitic burden (7.9% ± 2.1%). Of all positive cases, 42,779 were treated (68.7% ± 9.5%). The percentage of cases with a high parasitic load showed a statistically significant increasing trend (5.7% per year). There was a statistically significant downward trend in the number of municipalities joining the SCP (4.0% per year) and the number of tests performed (9.6% per year). Regarding the spatial distribution of schistosomiasis, in 2011, the year with the highest number of municipalities adhering to the SCP, five, 30, and 10 municipalities were considered, respectively, of high, medium, and low endemicity. In 2017, Siriri was considered to be highly endemic, 20 municipalities were of medium endemicity, and five of low endemicity. CONCLUSION: The actions of the SCP decreased in Sergipe, in addition to the apparent underreporting of cases and the increase in cases with a high parasitic burden, compromising the gains obtained in the control of the disease.