Neste trabalho são apresentados aspectos epidemiológicos relativos a crianças e
adolescentes com problemas de saúde mental, no mundo e no Brasil; os transtornos mais comuns
nesta faixa etária; e a gênese de tais transtornos, cuja ênfase recai no ambiente familiar, no qual
se constata forte associação entre a violência doméstica e a ocorrência de tais distúrbios. É
discutida a crise de oferta de serviços de saúde para crianças e adolescentes com problemas de
transtorno mental, bem como a carência de profissionais treinados para lidar com este grupo
especial de pacientes. Os aspectos bioéticos envolvidos na assistência também são discutidos, com
destaque para o estado de vulnerabilidade desses pacientes com relação ao exercÃcio da autonomia.
Ao final, se considera que para abarcar o princÃpio bioético da justiça urge implantar e implementar
serviços de saúde mental comunitários, especializados no atendimento a crianças e adolescentes,
principalmente em regiões carentes, bem como na periferia das grandes cidades.