Este artigo analisa as discussões em torno da assistência médico-hospitalar na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro nas mãos das Irmãs da Caridade, a partir da década de 1850. O trabalho das religiosas era confrontado pela Faculdade de Medicina da Corte, pelo fato de interferirem na profilaxia recomendada para o tratamento aos doentes. Percebe-se um embate entre a concepção religiosa e o olhar médico e científico no tratamento à saúde. Essa tensão se torna mais aguda ao se verificar que havia uma disputa pelo corpo feminino, a partir da prática nas clínicas de obstetrícia e ginecologia. O processo de secularização, assim como o ultramontanismo no Segundo Reinado, são levados em consideração para o entendimento das representações desqualificadoras das Irmãs da Caridade na imprensa.
This article analyzes the discussions surrounding medical-hospital assistance at the Santa Casa de Misericórdia of Rio de Janeiro under the care of the Sisters of Charity, beginning in the 1850s. Their work was challenged by the Faculty of Medicine of the Court due to their interference in the recommended prophylactic measures for treating the sick. A conflict is evident between the religious and medical-scientific perspectives in health care. This tension intensified with the emerging dispute over the female body from within the practices of obstetrics and gynecology clinics. The process of secularization and ultramontanism during the Second Reign is considered essential for understanding the discrediting representations of the Sisters of Charity in the press.
Este artigo analiza las discusiones sobre la asistencia médico-hospitalar en la Casa de Misericordia de Rio de Janeiro, bajo el cuidado de las Hermanas de Caridad, a partir de la década de 1850. El trabajo de las religiosas era confrontado por la Facultad de Medicina de la Corte, por interferir en la profilaxis recomendada para el tratamiento a los enfermos. Se percibe un embate entre la concepción religiosa y la mirada médica y científica en el tratamiento a la salud. Esa tensión está más aguda al verificarse que habría una disputa por el cuerpo femenino, a partir de la práctica en las clínicas de obstetricia y ginecología. El proceso de secularización, así como el ultramontanismo en el Segundo Reinado, son considerados en la compresión de las representaciones descalificadoras de las Hermanas de Caridad en la prensa.