Objetivo: compreender como ocorre a autogestão da prática de insulinoterapia em pessoas com diabetes acompanhadas na Atenção Primária à Saúde. Métodos: estudo qualitativo, conduzido com 60 pessoas com diabetes em uso de insulina, por meio de entrevistas semiestruturadas, diário de campo e análise interpretativa descritiva, com apoio do software IRaMuTeQ. A análise possibilitou a organização dos achados em três categorias temáticas. Resultados: a autogestão da insulinoterapia mostrou-se como processo complexo, dinâmico e atravessado por dimensões emocionais, sociais e estruturais. O início do uso da insulina foi marcado por medo, resistência, sofrimento e associação com agravamento da doença, sendo progressivamente ressignificado como possibilidade de controle e autonomia. As práticas cotidianas envolveram negociações entre prescrições, alimentação, monitoramento glicêmico, atividade física e ajustes terapêuticos. Também foram identificadas lacunas nas orientações recebidas, insegurança na aplicação e dependência de familiares e profissionais de saúde. Conclusão: a autogestão da insulinoterapia exige mais que domínio técnico, requerendo suporte educativo, emocional e social contínuo, centrado na pessoa e em sua realidade cotidiana. Contribuições para a prática: os achados reforçam a necessidade de fortalecer a atuação da enfermagem na educação em saúde, no acompanhamento longitudinal e no apoio à autonomia de pessoas com diabetes na Atenção Primária.
Objective: to understand insulin therapy self-management among people with diabetes receiving Primary Health Care. Methods: we conducted a qualitative study with 60 people with diabetes using insulin. Data were collected through semi-structured interviews and field notes and analyzed using interpretive description, with IRaMuTeQ supporting lexical exploration. The analysis yielded three analytical categories. Results: participants’ accounts portrayed insulin therapy self-management as a complex, dynamic process shaped by emotional, social, and structural dimensions. Insulin initiation was marked by fear, resistance, distress, and perceived disease progression but was gradually reframed as a means of managing the condition and gaining autonomy. Everyday practices involved negotiations among treatment recommendations, eating practices, blood glucose monitoring, physical activity, and therapeutic adjustments. Participants also reported gaps in guidance, lack of confidence in administering insulin, and dependence on family members and health care professionals. Conclusion: insulin therapy selfmanagement requires more than technical proficiency and depends on ongoing person-centered educational, emotional, and social support responsive to everyday circumstances. Contributions to practice: the findings underscore the need to strengthen nurses’ role in health education, longitudinal follow-up, and support for autonomy among people with diabetes receiving Primary Health Care.