O presente artigo analisa as representações positivas da homossexualidade na série Heartstopper e discute suas potencialidades como recurso didático para a educação para a sexualidade na educação básica. Ancorada em uma abordagem qualitativa de matriz semiótica peirceana, a pesquisa constitui um corpus de cenas que tematizam afeto queer, autoconhecimento da sexualidade, homofobia e redes de apoio. As cenas foram decupadas segundo critérios de relevância temática, recorrência de signos audiovisuais e saturação sígnica, permitindo a identificação de qualidades sensíveis (primeiridade), relações narrativas (secundidade) e articulações com contextos socioculturais brasileiros (terceiridade). Os resultados são apresentados em quatro eixos: (a) representatividade positiva e semiótica do afeto; (b) autoconhecimento, adolescência e a pergunta “eu sou gay?”; (c) cotidiano homoafetivo, homofobia e redes de apoio; (d) implicações pedagógicas. A análise evidencia um regime estético marcado pela delicadeza, pelo cotidiano e pelo cuidado, que rompe com narrativas trágicas tradicionalmente associadas à homossexualidade e produz um repertório simbólico de afeto queer positivo. Articulando a leitura das cenas com a literatura sobre educação sexual, com documentos normativos (PCN, BNCC) e com os Princípios de Yogyakarta, o estudo sustenta que Heartstopper pode ser incorporada ao currículo como artefato curricular e ferramenta formativa para discutir consentimento, diversidade, direitos humanos e enfrentamento da violência simbólica no ambiente escolar. Por fim, apresenta-se uma proposta pedagógica que integra análise semiótica, letramento midiático e educação sexual integral crítica.