O texto discute a hipótese de que a noção arendtiana de
singularização e a noção foucaultiana de subjetivação ético-polÃtica
constituem ferramentas conceituais importantes para a
compreensão de quem são e como agem os integrantes dos novos
coletivos polÃticos do presente. Tomo em consideração,
particularmente, certos coletivos pós-identitários de minorias, e
certos coletivos eco-estético-polÃticos voltados para a questão da
mobilidade urbana. O texto se divide em três momentos.
Primeiramente, discuto a noção arendtiana de ação polÃtica como
manifestação da singularidade dos agentes polÃticos, a qual se
articula à sua concepção da polÃtica como fim em si mesmo. Esta
noção me parece ilustrativa quanto às novas formas de
engajamento polÃtico do presente, as quais não se limitam apenas
ao cálculo de suas vitórias concretas e, deste modo, ultrapassam as
concepções instrumentais da polÃtica. No segundo momento,
discuto o conceito foucaultiano de subjetivação ético-polÃtica e
argumento que ele apresenta claras contribuições para a
compreensão das práticas de atuação polÃtica dos coletivos, as quais
exigem que seus membros se dediquem à tarefa da
autotransformação crÃtica e reflexiva. Finalmente, no terceiro
momento, procuro mostrar quais são os ganhos teóricos das noções
de singularização e subjetivação para a compreensão das práticas
polÃticas dos novos coletivos. Tais noções ressaltam a potência
simultaneamente singular e plural de manifestações polÃticas
entendidas como experiências vivas e destinadas a promover novas
formas de articulação entre vida e polÃtica.