O intuito de A arqueologia do saber consiste em estabelecer uma base teórico-conceitual homogênea para as pesquisas histórico-filosóficas que a antecederam: uma arqueologia da percepção, em História da loucura; uma arqueologia do olhar médico, em O nascimento da clínica; e uma arqueologia das ciências humanas, em As palavras e as coisas. No entanto, o que se encontra efetivamente em jogo é uma frontal recusa do primado antropológico no campo da história, da filosofia e nos estudos que tratam da formação do conceito de homem. E isso se dá justamente porque Foucault atribui às palavras uma dimensão ontológica.