INTRODUÇÃO: Com o início da pandemia da COVID-19 no Brasil, as consultas e exames eletivos realizados pelos pacientes com doença crônica foram interrompidos ou postergados, diante do poder de disseminação do vírus e do impacto até então desconhecido para a população de doentes crônicos, principalmente com manifestações pulmonares. Com a imposição da quarentena pelas autoridades, as atividades de assistência remota à saúde (telessaúde) foram regulamentadas por vários órgãos e conselhos de classe. O Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (RESOLUÇÃO Nº 516, de 20 de março de 2020), instituiu a possibilidade de planejamento das práticas fisioterapêuticas através de instrumentos não presenciais, reduzindo possíveis repercussões negativas da suspensão por período prolongado do atendimento regular realizado. Visto que uma das funções essenciais de um centro de referência é realizar a assistência adequada da população de pacientes com a doença em questão, observou-se a necessidade de transformar o acompanhamento presencial em remoto, estabelecendo uma rotina de teleconsultas multiprofissionais.
OBJETIVO: Descrever a experiência de implantação da rotina de teleconsultas na fisioterapia respiratória de um centro de referência para fibrose cística (FC) no Rio de Janeiro, Brasil, durante a pandemia da COVID-19.
METODOLOGIA: Estudo transversal descritivo com crianças e adolescentes com FC. A amostra foi dividida entre os participantes e aqueles que não participaram das teleconsultas. As teleconsultas foram multidisciplinares e realizadas por videoconferência ou telefone, conforme a disponibilidade do paciente. A sequência de atendimentos da equipe foi organizada em conjunto com os profissionais, de maneira que todos pudessem realizar as teleconsultas individuais e sequenciais. Os atendimentos de fisioterapia foram divididos em dois seguimentos: teleconsulta e telemonitoramento. Coletaram-se, dos prontuários, dados demográficos e clínicos.
RESULTADOS: Dos 184 indivíduos atendidos, 153 (83,2%) participaram dos teleatendimentos e, deles, 33 (21,6%) necessitaram de telemonitoramento; 31 (16,8%) não participaram das teleconsultas por não atenderem aos chamados. Não houve diferença estatística entre o grupo que participou dos teleatendimentos e aqueles que não participaram, nem entre os que participaram das teleconsultas e os que participaram do telemonitoramento. A média de idade da população estudada foi de 7,0±0,4 anos. Em relação à mutação do gene CFTR, 64,7% apresentavam pelo menos um alelo F508del e 30,9% da amostra não apresentou patógenos no exame de escarro.
CONCLUSÃO: A maioria dos indivíduos com FC participou das teleconsultas, o que evidencia a importância das atividades de assistência remota no período da pandemia por COVID-19. Considerou-se que essa estratégia é positiva e pode tornar-se permanente no cuidado a pacientes com FC.