Teorias interseccionais brasileiras: precoces e inominadas

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ISSN: 25258036
Editor Chefe: Victoria Nicolielo Reginatto
Início Publicação: 31/05/2016
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: História, Área de Estudo: Direito, Área de Estudo: Serviço social, Área de Estudo: Multidisciplinar, Área de Estudo: Multidisciplinar

Teorias interseccionais brasileiras: precoces e inominadas

Ano: 2021 | Volume: 6 | Número: 2
Autores: Nathália Lipovetsky e Silva, Diego Márcio Ferreira Casemiro
Autor Correspondente: Nathália Lipovetsky e Silva | [email protected]

Palavras-chave: Interseccionalidade, Ferramenta Teórico-Metodológica, Políticas Públicas, Feminismo

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O conceito de interseccionalidade perpassa a luta social e intelectual do movimento feminista negro e possui importante função pedagógica na sociedade. Neste artigo é realizado um breve levantamento teórico-cronológico acerca do conceito de interseccionalidade e do feminismo interseccional que dele se origina, a fim de analisar as variações existentes neste conceito e caracterizá-lo, ao final, como uma ferramenta metodológico-analítica indispensável para a compreensão das sociedades contemporâneas. Essa investigação adota uma abordagem qualitativa, de natureza básica e objetivo exploratório, sendo sistematizada pelo procedimento de pesquisa bibliográfica. Observa-se que “interseccionalidade” aparece como uma concepção originária no território brasileiro, e que, entretanto, sua visibilidade ocorre a partir dos escritos da estadunidense Kimberlé Crenshaw. Constata-se que as intelectuais brasileiras Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento utilizam a visão interseccional em suas reflexões, mas não elaboram um termo para denominar essa postura teórica; que Kimberlé Crenshaw empreende o termo “interseccionalidade” no contexto norte-americano de denúncias destinadas aos movimentos intelectuais e jurídicos, que ignoravam os múltiplos e articulados sofrimentos experienciados pelas mulheres negras; que Carla Akotirene difunde a visão interseccional no Brasil, por meio de uma produção bibliográfica acessível; e que é necessário avançar da crítica teórico-reflexiva em direção à aplicabilidade das informações oferecidas por meio das leituras interseccionais na fundamentação de políticas públicas.



Resumo Inglês:

The concept of intersectionality follows the social and intellectual struggle of the black feminist movement and has an important pedagogical function in society. In this paper, a brief theoretical and chronological study of the concept of intersectionality and of the intersectional feminism aiming to analyze the existing multiplicity in this concept and characterize it as an indispensable methodological-analytical tool for the understanding of the contemporary societies. This research adopts a qualitative approach, of basic nature and exploratory purpose, being systematized by bibliographical research procedure. It is remarked that “intersectionality” appears as an original conception in the Brazilian territory and that, however, its visibility occurs only after the writings of the Kimberlé Crenshaw. We note as a conclusion that: Brazilian intellectuals Lélia Gonzalez and Beatriz Nascimento use the intersectional view in their reflections but do not elaborate a term to denominate this theoretical view; that Kimberlé Crenshaw uses the term “intersectionality” in the USA in a context of denunciations aimed at intellectual and legal movements that ignored the multiple and articulated sufferings experienced by black women; that Carla Akotirene diffuses the intersectional reading in Brazil through an accessible bibliographic production; and that it is necessary to move from theoretical-reflexive criticism towards the applicability of the information offered through intersectional readings in the substantiation of public policies.



Resumo Espanhol:

El concepto de interseccionalidad impregna la lucha social e intelectual del movimiento feminista negro y tiene una importante función pedagógica en la sociedad. En este artículo se realiza un breve recorrido teórico y cronológico sobre el concepto de interseccionalidad y el feminismo interseccional que se desprende de él, para analizar las variaciones existentes en este concepto y caracterizarlo, en definitiva, como una herramienta metodológica-analítica indispensable para la comprensión de las sociedades contemporáneas. Esta investigación adopta un enfoque cualitativo, de carácter básico y propósito exploratorio, siendo sistematizada por el procedimiento de investigación bibliográfica. Se observa que la interseccionalidad aparece como un concepto originario del territorio brasileño, y que, sin embargo, su visibilidad se produce a partir de los escritos de la estadounidense Kimberlé Crenshaw. Observamos que las intelectuales brasileñas Lélia Gonzalez y Beatriz Nascimento utilizan la visión interseccional en sus reflexiones, pero no desarrollan un término para nombrar esta postura teórica; que Kimberlé Crenshaw utiliza el término “interseccionalidad” en el contexto norteamericano de las denuncias dirigidas a los movimientos intelectuales y jurídicos, que ignoraban los múltiples y articulados sufrimientos experimentados por las mujeres negras; que Carla Akotirene difunde la visión interseccional en Brasil, a través de una producción bibliográfica accesible; y que es necesario avanzar desde la crítica teórico-reflexiva hacia la aplicabilidad de la información ofrecida a través de las lecturas interseccionales en la fundamentación de las políticas públicas.