O presente artigo consiste em uma revisão da literatura que investiga as potencialidades existentes nas materialidades e na organização dos ambientes de aprendizagem, para que se tornem significativos e objetos de aprendizagem, com foco no contexto da Educação Infantil e da Educação Básica. A fundamentação deste estudo sustenta-se na premissa contemporânea de que o espaço físico não deve ser compreendido como um receptáculo neutro ou apenas funcional, mas como um agente ativo e dialógico de transformação pedagógica, constituindo o que a literatura denomina "terceiro educador". A investigação articula-se a partir de teorias de emancipação e de criticidade, analisando como o cotidiano escolar é impactado pela disposição estética e sensorial dos objetos. Por meio de um diálogo teórico interdisciplinar entre autores da arquitetura escolar, da psicologia do desenvolvimento e da pedagogia da infância, analisam-se os conceitos de estética da recepção e de funcionalidade lúdica, bem como o papel do objeto não estruturado como mediador fundamental da curiosidade investigativa e da autonomia discente. O estudo percorre, ainda, as legislações vigentes e as diretrizes curriculares, discutindo as práticas de gestão e a responsabilidade docente na ressignificação do ambiente escolar como ferramenta de transformação social e política. Conclui-se que a transformação da escola em um território de vivências e descobertas constantes depende de uma ruptura com a rigidez dos cenários tradicionais, promovendo um ambiente que acolha a imprevisibilidade e o protagonismo do sujeito aprendente.