Este artigo apresenta uma reflexão prático-teórica sobre o uso de mini histórias no Berçário II como gesto de escuta, documentação pedagógica e planejamento sensível. A partir de episódios vividos por Théo e Isis, discute-se o brincar como linguagem corporal, simbólica e emocional, tomando-o como eixo estruturante das aprendizagens na primeira infância. Inspirado em Bell Hooks, Paulo Fochi, Adriana Friedmann, Loris Malaguzzi e Nilma Lino Gomes, o texto argumenta que narrar o cotidiano com poesia, método e intencionalidade amplia o currículo, valoriza a singularidade das crianças e fortalece práticas docentes alinhadas aos direitos de aprendizagem e convivência previstos na BNCC e no Currículo da Cidade de São Paulo. Ao transformar pequenas cenas em narrativas significativas, as minis histórias possibilitam ao professor compreender os modos de ser eestar das crianças, evidenciando suas hipóteses, curiosidades, medos, vínculos e percursos exploratórios. Essa escrita também funciona como ferramenta de formação docente, favorecendo processos reflexivos sobre planejamento, organização dos espaços, mediação das interações e construção de tempos mais flexíveis para o brincar. Além disso, atua como devolutiva sensível às famílias, aproximando-as das experiências vividas no berçário e fortalecendo a parceria educativa. O artigo apresenta, ainda, um protocolo de observação, orientações de escrita, exemplos de mini histórias e um quadro de articulações com os Campos de Experiência. Conclui-se que a documentação narrativa, quando ancorada na escuta atenta e na ética da responsabilidade, sustenta decisões pedagógicas mais humanas, democráticas e coerentes com a infância, reafirmando o direito das crianças à imaginação, à liberdade e à participação.