Em textos variados, o pajubá tem sido rotulado de diferentes maneiras: linguagem, vocabulário (ou repertório vocabular), dialeto, língua e socioleto. Neste artigo, expomos alguns limites e sugerimos algumas distinções quanto a esse conjunto de lexias comumente associado à comunidade LGBTQIAPN+. Para isso, nos valemos de textos teóricos, sobretudo das áreas da Lexicologia, Sociolinguística e Dialetologia, e noticiosos – estes últimos disponíveis no motor de busca Google. Aventamos que, além de se tratar de um vocabulário, o pajubá, hoje, não pode ser considerado gíria de grupo, mas sim gíria comum, dada a sua expansão para além do grupo restrito supracitado. Ademais, a predominância da estrutura morfossintática e de unidades lexicais do português brasileiro e o uso de uma ou outra unidade do iorubá também permitem caracterizá-lo como socioleto. Por fim, se levada em consideração uma relação de contingência, esse vocabulário é parte do que aqui denominamos léxico dissidente.
In a variety of texts, pajubá has been labeled in different ways: language, vocabulary (or lexical repertoire), dialect, language, and sociolect. In this article, we outline some limits and suggest certain distinctions regarding this set of lexemes commonly associated with the LGBTQIAPN+ community. To do so, we draw on theoretical texts, primarily from the fields of Lexicology, Sociolinguistics, and Dialectology, as well as news articles – the latter available through the Google Search engine. We propose that, in addition to being a vocabulary, pajubá today can no longer be considered a group slang, but rather a common slang, given its expansion beyond the aforementioned restricted group. Furthermore, the predominance of Brazilian Portuguese morphosyntactic structures and lexical units, along with the occasional use of one or another Yoruba unit, also allows us to characterize it as a sociolect. Finally, if considered in terms of contingency, this vocabulary forms part of what we here term dissident lexicon.