A presente pesquisa, de enfoque qualitativo e exploratório, busca compreender como se desenvolve a gestão de riscos na prostituição masculina, por meio de entrevistas com um garoto de programa de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Foram realizados dois longos contatos com o sujeito, quando foi possível obter dados relevantes sobre a sua trajetória de vida, sua organização de trabalho e suas práticas de gestão de riscos. A oportunidade de observar in loco o seu local de trabalho foi um adicional na realização da pesquisa. Como ocupação, o sexo é moralmente condenado pela sociedade e, dessa forma, neste trabalho, recorre-se ao conceito de trabalho sujo, para compreender algumas razões que levam à marginalização social do trabalho sexual. A partir do relato do garoto de programa, percebeu-se que os perfis criados pelos trabalhadores sexuais obedecem aos desejos dos clientes, geralmente oferecendo corpos viris e musculosos. Masculinidade e virilidade são componentes essenciais para obter sucesso na carreira de garoto de programa. A gestão dos riscos profissionais envolve um conjunto de procedimentos e assunção de estimulantes e medicamentos, que confirmam as características do conceito de trabalho sujo. Cumprir essas prerrogativas define o desempenho do profissional, o reconhecimento e a valorização no mercado sexual.