O artigo discorre sobre a memória dos trajes e a maneira como os indivíduos registram e interpretam suas relações com eles. Parte-se do pressuposto de que nos colocamos em tudo, e, por essa razão, também, os trajes populares revelam o lugar político de cada sujeito na Festa de São Benedito na Congada de Ilhabela – manifestação da cultura afrodescendente escolhida para tratada neste texto. Objetivou-se entender o papel do traje na composição da identidade cultural do grupo étnico-racial negro de Ilhabela, para apontar como um traje aparentemente simples pode revelar tantos significados para o grupo em questão. A Congada de Ilhabela representa a devoção de uma população a um santo; santo e povo negro que resistiram aos inúmeros preconceitos e transformações socioeconômicas profundas. Para tanto, será discutida a expressão dessa cultura como tradição inventada por meio de uma identidade negociada. No que concerne ao traje, o estudo se apoiará na cultura material e na observação participante realizada com essa população entre os anos de 1995 até 2002.