O artigo percorre a história de luta dos movimentos de favelados privilegiando as contribuições de um padre, uma liderança comunitária, o movimento estudantil e professores extensionistas em Minas Gerais. Foca também na atuação profissional de arquitetos que contribuíram para a construção de toda uma abordagem técnica em programas e projetos para favelas em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro e na Região Metropolitana de São Paulo com o intuito de narrar uma historicidade pouco iluminada nos relatos sobre as lutas por condições dignas de moradia. Busca-se com esta investigação, que remonta aos anos 60 do século passado até os dias atuais, contribuir para a memória que essas diversas alianças exerceram para a construção de uma agenda de aceitação das favelas como territórios que merecem atenção estatal na sua qualificação e manutenção. Note-se que esses relatos não pretendem disputar o protagonismo da luta de moradores e movimentos de moradia para a referida agenda, já se faz reconhecida em vasta literatura nacional, mas sugerir que essas trajetórias foram inspiradoras no reconhecimento da legitimidade da luta dos favelados.
The article traces the history of struggles led by favela movements, highlighting the contributions of a priest, a community leader, the student movement, and university extension professors in Minas Gerais. It also focuses on the professional work of architects who helped shape an entire technical approach in programs and projects for favelas in Belo Horizonte, Rio de Janeiro, and the Metropolitan Region of São Paulo. The aim is to shed light on a lesser-known historical narrative concerning the fight for decent housing conditions. This investigation, spanning from the 1960s to the present, seeks to contribute to the collective memory of the various alliances that helped build an agenda recognizing favelas as territories deserving of state attention for their improvement and upkeep. It is important to note that these accounts do not seek to claim leadership in the housing struggle—already well documented in national literature—but rather to suggest that these trajectories were inspirational in affirming the legitimacy of favela residents’ fight for recognition.