Este artigo tem o objetivo de compreender práticas e linguagens em torno da noção de “transição de gênero” articulada por uma geração de homens trans jovens (rapazes que foram designados ao nascer como mulheres), considerando as construções identitárias e corporais que a prática de transicionar de gênero produz socialmente. O trabalho se caracteriza como um reexame 10 anos depois de material empírico construído no contexto de uma pesquisa etnográfica desenvolvida entre os anos de 2014 e 2015 na capital e no interior do Rio Grande do Norte, com o apoio de entrevistas abertas. Acompanhou-se a mobilização social de ativistas ao longo de eventos políticos e acadêmicos, atividade doméstica e hormonização. Ao descrever as nuances linguísticas, políticas e societárias da ideia êmica de “transição de gênero”, o artigo reflete sobre a emergência do ativismo de homens trans e transmasculino na região potiguar e das condições de sua possibilidade, paralelizando trajetórias pessoais de entre categorias de pessoa e a dinâmica entre diversidade de gênero e mudanças sociais. Ao lançar uma perspectiva etnográfica desde solo norte-rio-grandense, flutua-se entre o regional e o nacional, refletindo sobre a emergência e consolidação das práticas políticas e identitárias de homens trans no Brasil na década de 2010.