Vi, claramente vista, a vida: os clássicos na obra de Camões

Convergência Lusíada

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ISSN: 2316-6134
Editor Chefe: Ida Alves
Início Publicação: 15/05/2024
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Artes, Área de Estudo: Letras

Vi, claramente vista, a vida: os clássicos na obra de Camões

Ano: 2025 | Volume: 36 | Número: Especial
Autores: Maria do Céu Fraga
Autor Correspondente: Maria do Céu Fraga | [email protected]

Palavras-chave: Poesia e conhecimento, Antigos e modernos, Camões, Experiência, Poesia e filosofia

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Como qualquer homem cultivado da sua época, Luís de Camões conhece e admira os Antigos e neles reencontra temas e perspectivas que pedem constante leitura. No entanto, a consciência de viver novos tempos leva-o a não subordinar a sua admiração à reinstauração de ideais já vividos: as respostas que neles encontra não o satisfazem completamente, tanto no campo da ciência e da interpretação do mundo físico, como no da concepção do homem e da sociedade. À semelhança dos “rudos marinheiros” ou do “experto capitão” que n’Os Lusíadas observam realidades estranhas que não compreendem, mas que todavia sabem existir, também Camões afirma a verdade dos casos desencontrados da sua vida, em tudo diferente dos ensinamentos dos “antigos filósofos”. Nesta exposição, valoriza-se a integração da obra camoniana num momento crítico de articulação entre a consciência do valor do indivíduo e a dignificação da Poesia. A sistematização filosófica não oferece a Camões a unificação da experiência pessoal de forma a justificar o infortúnio pessoal: é a Poesia que lhe abre portas ao conhecimento da natureza humana, e impõe aos homens “de juízo mais inteiro” a coerência de atitudes complexas e até contraditórias.



Resumo Inglês:

As any educated man of his time, Camoens knows and admires the Ancients, encountering in them themes and perspectives that require assiduous reading. Nevertheless, fully aware of living in a new period, he does not allow this admiration to lead to the mere recuperation of ideals of previous times. The responses that he finds in the classics do not fulfill him entirely, either in the field of science and the interpretation of the physical world, or in what pertains to the conception of both man and society. Like the “rude sailors” or the “experienced captain” who, in Os Lusíadas, observe foreign realities they do not understand, yet know to exist, so Camoens stresses the truth of life’s conflicting events, which are entirely at odds with the teachings of the “ancient philosophers”. This text stresses the integration of Camoen’s works in the critical moment of articulation of the intrinsic value of the individual and the dig- nification of Poetry. As far as Camoes is concerned, philosophical sys- tematization does not assure the unification of experience that allows for the justification of personal mishap: for him it is Poetry that opens the doors to the understanding of human nature, imposing upon those men in possession of a “fuller faculty of judgement” the coherence of complex and even contradictory attitudes.