O artigo relata uma experiência pedagógica desenvolvida no Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), voltada ao ensino de Língua Portuguesa como segunda língua (L2) para alunos surdos sinalizantes dos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental. A proposta baseia-se na bidocência como estratégia inclusiva e formativa, articulando dois professores com trajetórias distintas em uma abordagem colaborativa. Fundamentada na Educação Bilíngue de Surdos, no letramento visual, nas práticas omniléticas e na concepção discursivo-interacionista de linguagem, a iniciativa visa respeitar os tempos e modos de aquisição linguística dos alunos, promovendo o protagonismo surdo no processo de letramento. A atividade central envolveu o uso de cartuns como gênero visual, explorando a imagem como disparador de sentidos e ponte entre Libras (L1) e o português escrito (L2). Os resultados apontam avanços significativos na autonomia leitora, ampliação do vocabulário, estruturação sintática e engajamento dos alunos. A bidocência revelou-se potente tanto para a aprendizagem quanto para a formação docente, favorecendo a escuta pedagógica, a construção coletiva e o planejamento colaborativo. O artigo defende a consolidação da bidocência como prática permanente em contextos bilíngues, alinhada às diretrizes legais e às políticas públicas inclusivas.
This article presents a pedagogical experience developed at the National Institute for the Education of the Deaf (INES), focused on teaching Portuguese as a second language (L2) to deaf signing students in the 8th and 9th grades of elementary school. The proposal is based on co-teaching as an inclusive and formative strategy, involving two teachers with distinct backgrounds in a collaborative approach. Grounded in Bilingual Deaf Education, visual literacy, omniliterate practices, and a discursive-interactionist conception of language, the initiative aims to respect the linguistic acquisition pace and modes of deaf students, fostering their protagonism in the literacy process. The central activity involved using cartoons as a visual genre, exploring imagery as a trigger for meaning and a bridge between Libras (L1) and written Portuguese (L2). Results show significant progress in reading autonomy, vocabulary expansion, syntactic structuring, and student engagement. Co-teaching proved effective for both student learning and teacher development, enhancing pedagogical listening, collective construction, and collaborative planning. The article advocates for the consolidation of co-teaching as a permanent practice in bilingual contexts, aligned with legal guidelines and inclusive public policies.