O eleitor e a influência dos bots sociais: uma contribuição da economia comportamental

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ISSN: 2675-7087
Editor Chefe: Emerson Gabardo; Alexandre Godoy Dotta
Início Publicação: 30/04/2020
Periodicidade: Quadrimestral
Área de Estudo: Ciências Exatas, Área de Estudo: Ciências Sociais Aplicadas

O eleitor e a influência dos bots sociais: uma contribuição da economia comportamental

Ano: 2021 | Volume: 2 | Número: 1
Autores: Luis Guilherme Badotti Linhares, Danna Catharina Mascarello Luciani
Autor Correspondente: Luis Guilherme Badotti Linhares | [email protected]

Palavras-chave: democracia, bots sociais, economia comportamental, debates políticos, nudges

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

A presente pesquisa tem como objetivo geral analisar como a participação de bots sociais nos debates políticos virtuais altera o processo de escolha dos cidadãos. Por meio do método dedutivo, com aplicação da Análise Econômica do Direito focada na Economia Comportamental, parte-se (i) da análise dos bots: softwares que interagem com usuários nas redes sociais de modo autônomo; e (ii) da compreensão dos modos de uso de impulsionamentos por interação ou pago de publicações para alteração do comportamento do eleitor. Pretende-se, com isso, averiguar o impacto e lógica de funcionamento desses influenciadores de comportamento pelos conceitos dos vieses e das heurísticas, explorados pela Economia Comportamental, fazendo-se a necessária distinção dessas manobras de moldagem comportamental e dos nudges, uma vez que aquelas nem ao menos concedem opção ao indivíduo por reduzir suas possibilidades de interação com meios externos e divergentes. O processo democrático subsiste na ideia de uma participação cidadã livre e igual. Com o impulsionamento da utilização das plataformas digitais nas diversas áreas de convivência social, as redes sociais digitais passaram a apresentar-se como ambiente para os debates políticos e compartilhamento de informações. Entretanto, em razão da natureza de compartilhamento, as plataformas estão sujeitas ao excessivo viés ideológico enraizado nas informações compartilhadas, situação agravada pela proliferação de notícias falsas. Além disso, esses ambientes virtuais também contribuem com a manipulação e aproveitamento das formas pelas quais as informações podem ser apresentadas ao público; o que, segundo a Economia Comportamental, que ocupa-se do estudo de como os seres humanos tomam suas decisões, interfere no processo de escolha de seus expectadores. Assim, tem-se que a Economia Comportamental se formou em oposição ao pensamento neoclássico, que acreditava ser intrínseco à natureza humana a necessidade de se atribuir uma utilidade, fixada entre os extremos da dor e do prazer, a cada bem existente em sua vida. A behavioral economics surge então a partir das críticas feitas a essa percepção da racionalidade perfeita e irrestrita, e passa a analisar que o homem pode ser visto como refém de diversas limitações cognitivas. Ainda, o processo de escolha está sujeito aos vieses e heurísticas: atalhos cognitivos que simplificam e agilizam a tomada de decisão. Entre os vieses e heurísticas, cabe destacar a heurística da ancoragem e o viés confirmatório: a ancoragem diz respeito ao apego a um valor inicial a partir do qual as percepções serão ajustadas, enquanto o viés confirmatório trata da tendência dos indivíduos a buscar informações que corroborem suas crenças e de descartar as que refutem essas hipóteses. Além disso, o processo decisório também é alterado pela forma como as questões são apresentadas ao indivíduo – framing. Desse modo, a depender da forma como o conteúdo é apresentado ao indivíduo, a decisão será diversa. A partir disso, a presente pesquisa apresenta como conclusão preliminar que a limitação das opções dos eleitores por meio de comportamento obscuro – como a utilização de algoritmo nas redes sociais – acaba por enfraquecer a participação cidadã no processo democrático e concretiza-se como verdadeira ameaça à democracia como um todo.