Este artigo aborda a diversidade e pluralidade de performances de gênero, fazendo um contraponto à crença dominante de que há apenas uma possibilidade de performance, aquela baseada na cis-heteronormatividade, o que torna as formas “diferentes” de performar gênero invisíveis ou minorizadas. As pessoas que performam identidades de gênero fora do padrão de “normalidade” não têm reconhecido o direito de assumir suas identidades fora da norma cis-heteronormativa. As identidades de gênero aceitáveis ainda são as que estão de acordo com discursos identitários inteligíveis, ou seja, a cis-heteronormatividade é o modelo. O que estiver em desacordo com essa matriz de inteligibilidade não terá reconhecimento. Logo, o que transgredir a base normalizadora, que é a cis-heterossexualidade compulsória, estará sujeito a sanções sociais que da invisibilidade, passando pela minorização, até a punição por meio de violência física e/ou simbólica. Postulamos a necessidade de se pensar o gênero num viés crítico, para que as pessoas possam conhecer e se posicionar de forma consciente e ativa frente aos pré-conceitos da sociedade. Dentre as formas possíveis de reflexão apontamos algumas leituras literárias que problematizam as matrizes inteligíveis cis-heteronormalizadoras e, assim, abrem espaço para se questionar essa normatização, reconhecendo e legitimando as identidades de gênero que a transgridem.