Este artigo analisa a viabilidade da criação de uma moeda única no quadro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com foco nas implicações para Angola. A teoria das zonas monetárias óptimas, proposta por Robert Mundell (1961), é utilizada como referencial para avaliar os desafios e benefícios de uma integração monetária na região. A pesquisa destaca as assimetrias económicas entre os países da SADC, como a disparidade de taxas de inflação, a dependência de commodities e a falta de convergência fiscal e monetária, factores que dificultam a criação de uma moeda única. No contexto angolano, a dependência do petróleo e as vulnerabilidades fiscais associadas à instabilidade do preço do petróleo são identificadas como obstáculos significativos à integração monetária. O artigo propõe que Angola, para se beneficiar de uma moeda comum, deve implementar reformas estruturais, incluindo a estabilização da inflação, a modernização do sistema financeiro e a diversificação da economia, além de fortalecer a cooperação regional e criar mecanismos de ajuste fiscal para enfrentar choques assimétricos. Por fim, o estudo conclui que, embora existam desafios consideráveis, a integração monetária pode trazer vantagens para Angola e para a SADC como um todo, desde que acompanhada de estratégias de estabilização económica e uma abordagem gradual, com ênfase em reformas prévias e no fortalecimento da base económica.