O presente artigo tem como objetivo refletir criticamente sobre os desafios da educação inclusiva no contexto escolar, problematizando a ideia de que a simples matrícula de crianças com deficiência em classes comuns seja suficiente para garantir inclusão, pertencimento e aprendizagem. A partir de um recorte teórico-reflexivo, fundamentado em autores como Mantoan, Sassaki e Vygotsky, bem como em documentos legais nacionais e internacionais, discute-se a noção de que práticas inclusivas desprovidas de suporte pedagógico, formação docente contínua e articulação com redes de apoio podem, paradoxalmente, gerar novas formas de exclusão. O artigo dialoga ainda com o percurso histórico das pessoas com múltiplas deficiências, evidenciando como essas foram, ao longo do tempo, invisibilizadas, segregadas e consideradas ineducáveis, até a consolidação de um olhar pedagógico mais atento, inclusivo e acolhedor. Destaca-se o papel do professor, da gestão escolar e da parceria com as famílias na construção de uma escola que reconheça e valorize as diferenças como constitutivas do processo educativo. Conclui-se que a efetivação da educação inclusiva demanda mudanças estruturais, metodológicas e atitudinais, bem como investimentos em políticas públicas que assegurem o direito à aprendizagem e à participação de todas as crianças.