Ao longo dos anos, o interesse por fachadas duplas (DSF) aumentou, pois é uma solução de design que oferece uma aparência moderna e transparente aos edifícios. Elas são bem conhecidas por melhorar as condições de conforto em climas quentes e frios. No entanto, ainda são poucos os estudos que se concentram na incidência da iluminação natural em tais sistemas, especialmente no que diz respeito aos impactos dos materiais aplicados nas camadas da DSF sobre a penetração e distribuição da luz nos ambientes. Assim, este estudo tem como objetivo analisar o desempenho da iluminação natural de diferentes transmitâncias de vidros aplicados nas camadas interna e externa de um edifício educacional com DSF no sul do Brasil (lat. 30º Sul). Foram realizadas análises considerando duas métricas: Spatial Daylight Autonomy (sDA300/50%) e Annual Sunlight Exposure (ASE1000,250h). Utilizando os plugins Grasshopper e ClimateStudio para Rhinoceros 3D, foram realizadas simulações considerando sete tipos diferentes de vidros. Os resultados demonstraram que o uso de vidros com alta transmitância promovem um aumento na iluminação natural acompanhado de um aumento no risco de desconforto visual. Além disso, nenhum dos casos simulados apresentou resultados aceitáveis para as variáveis sDA300 e ASE1000, mas os resultados mais adequados foram encontrados nos casos que utilizaram transmitâncias de vidros de 16% e 53% nas camadas externa e interna da DSF, respectivamente. Em conclusão, para latitudes médias, deve-se evitar o uso de vidros de alta transmitância na DSF. Pode ser útil se for associado a um vidro de transmitância média aplicado à camada interna.
Over the years, the interest in double skin facades (DSF) has increased since it is a design solution offering buildings a modern and transparent appearance. They are well known for improving comfortable conditions for hot and cold climates. However, studies focusing on the incidence of daylighting in such systems, especially regarding the impacts of the materials applied to the DSF layers on the lighting penetration and distribution into the rooms are still few. Thus, this study aims to analyse the daylighting performance of different glazing transmittances applied to the inner and outer skins of an educational DSF building in southern Brazil (lat. 30º S). Analyses were performed considering two metrics: Spatial Daylight Autonomy (sDA300/50%) and Annual Sunlight Exposure (ASE1000,250h). Using Grasshopper and ClimateStudio Plugins for Rhinoceros 3D, simulations were carried out considering seven different types of glazing. The results demonstrated that the use of glazing with high transmittance promotes an increase in daylighting accompanied by an increase in the risk of visual discomfort. Furthermore, none of the simulated cases presented acceptable results for the sDA300 and ASE1000 variables, but the most adequate results were found in the cases that used glazing transmittances of 16% and 53% on the outer and inner DSF layers, respectively. In conclusion, for middle latitudes, the use of high transmittance glazing should be avoided in the DSF. It can be useful if it is associated with a medium transmittance glazing applied to the inner layer.