Ao supervalorizar a jovialidade, a sociedade contemporânea transforma a velhice em problema social e adota a perspectiva do anti-envelhecimento como contraponto à inutilidade, um dos estereótipos mais associados a esta fase da vida. A fala dos velhos sobre si, seus anseios e necessidades nem sempre coincidem com os novos discursos das polÃticas socias, com as formas de captura e os rótulos que se abatem sobre eles — “melhor idadeâ€, “terceira idadeâ€, “idoso ativoâ€, “idoso produtivoâ€, etc. A vida, o ser e o fazer cotidianos, subvertem os modelos que tentam homogeneizar todo um segmento geracional, não permitindo simplesmente que se viva a experiência de ser velho. Este artigo apresenta um breve mosaico de situações e acontecimentos sobre como é ser velho na cidade de São Paulo — dificuldades, alegrias e surpresas. Trata-se de pensar o envelhecer sem ocultar ou negar o que está implÃcito nesta fase da vida, adotando, porém, uma perspectiva avessa a uma moral do envelhecimento perversa que injeta permanentemente “novas verdades†e preconceitos na base das relações sociais. Este trabalho é um estudo etnográfico de caráter exploratório que pretendeu percorrer parte da região central do municÃpio de São Paulo em busca do reconhecimento de diferentes modos de interação entre o velho e a cidade. Assim, objetivou-se dar visibilidade aos diferentes lugares sociais ocupados pelos velhos, focalizando o cotidiano urbano de homens e mulheres
em distintas esferas da vida social.
Overestimating joviality, the contemporary society turns old age into a social problem and adopts an anti-aging perspective as a counterpoint to inutility, one of the most associated stereotype with that phase of life. The talk of old people about themselves, their expectations and necessities do not always coincide with the new speeches of social politics, with the new ways of capturing and the labels they are addressed to – “best ageâ€, “third ageâ€, “active agedâ€, “productive aged†and so on. Life, the daily being and doing, subverts the models which try to homogenize the whole segment of a generation who is not allowed to simply living the experience of being old. This article presents a brief mosaic of situations and events about what being old is like in São Paulo city – difficulties, joys and surprises. It is a question of thinking about getting old without concealing or denying what is implicit on this phase of life, adopting, however, an opposite perspective to a perverse ethics of the aging which permanently injects “new truths†and prejudices into the basis of the social relations. This work is an ethnographic exploratory study which has intended to range over the central area of São Paulo city searching for the acknowledgment of different ways of interaction between the aged and the city. Therefore, the purpose was to give visibility to the different places occupied by the aged focusing the urban everyday life of men and women in distinct scopes of social life.