“A gente ‘tarracava’ mas também cuidava do outro”: a ‘queda’ como expressão cotidiana de lazer e bem-estar na Baixada Maranhense

Revista Brasileira de Educação do Campo

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ISSN: 25254863
Editor Chefe: Gustavo Cunha de Araujo
Início Publicação: 31/07/2016
Periodicidade: Anual
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Educação, Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Multidisciplinar

“A gente ‘tarracava’ mas também cuidava do outro”: a ‘queda’ como expressão cotidiana de lazer e bem-estar na Baixada Maranhense

Ano: 2026 | Volume: 10 | Número: Não se aplica
Autores: M. J. A. Farias, R. N. A. Viana, A. F. S. Bezerra
Autor Correspondente: M. J. A. Farias | [email protected]

Palavras-chave: cultura corporal, memória coletiva, baixada maranhense.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O estudo analisa a “queda” como luta/brincadeira tradicional presente no cotidiano da Baixada Maranhense, especialmente no município de Monção–MA, sua manifestação como expressão de lazer e bem-estar em um contexto educativo comunitário. Ancorado em uma abordagem qualitativa, o trabalho articula observação participante, entrevistas abertas e narrativas autobiográficas produzidas por professores da rede pública e membros da comunidade local. O referencial teórico-metodológico dialoga com a sociologia do cotidiano, a noção de técnicas corporais e estudos sobre corpo, cultura e territorialidade. Os resultados evidenciam que a “queda” se configura como luta/brincadeira marcada por gestualidades específicas, baseadas em agarres, desequilíbrios e projeções, desenvolvida predominantemente em espaços comunitários e naturais. A prática apresenta regras implícitas, orientadas pelo respeito mútuo, e situa-se em uma zona liminar entre o brincar, o lutar e o brigar. Ademais, revela-se como importante dispositivo de lazer, bem-estar e aprendizagem social, no qual o corpo aprende pela experiência, pela repetição e pela convivência intergeracional, em estreita relação com o território e com as dinâmicas socioculturais locais.



Resumo Inglês:

This study analyzes the “queda” as a traditional form of fight/play present in the daily life of the Baixada Maranhense, especially in the municipality of Monção, Maranhão, as well as an expression of leisure and well-being within a community educational context. Grounded in a qualitative approach, the research articulates participant observation, open interviews, and autobiographical narratives produced by public school teachers and members of the local community. The theoretical-methodological framework engages with the sociology of everyday life, the notion of body techniques, and studies on body, culture, and territoriality. The findings reveal that the “queda” is configured as a fight/play practice marked by specific bodily gestures based on grips, imbalance, and projections, predominantly developed in community and natural spaces. The practice presents implicit rules guided by mutual respect and is situated within a liminal zone between playing, fighting, and quarreling. Furthermore, it emerges as an important device for leisure, well-being, and social learning, in which the body learns through experience, repetition, and intergenerational coexistence, in close relation to the territory and local sociocultural dynamics.



Resumo Espanhol:

El estudio analiza la “queda” como una lucha/juego tradicional presente en la vida cotidiana de la Baixada Maranhense, especialmente en el municipio de Monção–MA, así como una expresión de ocio y bienestar en un contexto educativo comunitario. Basado en un enfoque cualitativo, el trabajo articula observación participante, entrevistas abiertas y narrativas autobiográficas producidas por profesores de la red pública y miembros de la comunidad local. El marco teórico-metodológico dialoga con la sociología de la vida cotidiana, la noción de técnicas corporales y los estudios sobre cuerpo, cultura y territorialidad. Los resultados evidencian que la “queda” se configura como una lucha/juego marcada por gestualidades específicas, basadas en agarres, desequilibrios y proyecciones, desarrollada predominantemente en espacios comunitarios y naturales. La práctica presenta reglas implícitas orientadas por el respeto mutuo y se sitúa en una zona liminar entre jugar, luchar y pelear. Además, se revela como un importante dispositivo de ocio, bienestar y aprendizaje social, en el cual el cuerpo aprende a través de la experiencia, la repetición y la convivencia intergeneracional, en estrecha relación con el territorio y las dinámicas socioculturales locales.