Aprendizagem da Língua Inglesa como Terceira Língua (L3) por Aprendizes Surdos Brasileiros : Investigando a Transferência Léxico- Semântica entre Língua de Modalidade Diferentes

Revista Espaço

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Telefone: (21) 2285-7546
ISSN: 25256203
Editor Chefe: Wilma Favorito
Início Publicação: 31/12/1989
Periodicidade: Semestral
Área de Estudo: Educação, Área de Estudo: Letras, Área de Estudo: Linguística, Área de Estudo: Multidisciplinar

Aprendizagem da Língua Inglesa como Terceira Língua (L3) por Aprendizes Surdos Brasileiros : Investigando a Transferência Léxico- Semântica entre Língua de Modalidade Diferentes

Ano: 2013 | Volume: Especial | Número: 39
Autores: Maria Clara Corsini Silva
Autor Correspondente: Maria Clara Corsini Silva | [email protected]

Palavras-chave: libras. língua brasileira de sinais. língua inglesa. surdos. aquisição de terceira língua (l3). multilinguismo. transferência léxico-semântica. transferência interlinguística.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

As pesquisas que se dedicam a investigar os processos de aprendizagem de uma L3 ainda são escassas se comparadas às pesquisas sobre a aquisição de duas línguas. Se os estudos sobre o multilinguismo conduzidos com participantes ouvintes usuários de línguas orais são incipientes, bem mais raras são as pesquisas com sujeitos surdos aprendizes de uma L3 de modalidade oral-auditiva. Este estudo tem o objetivo de analisar como alunos surdos brasileiros aprendizes da Língua Inglesa (LI) aprendem aspectos léxico-semânticos dessa língua como L3, enfatizando-se o papel da transferência linguística das duas primeiras línguas aprendidas - Libras e Língua Portuguesa (LP) - sobre o léxico da LI. Para tanto, este estudo analisa os dados coletados entre jovens e adultos, alunos do Ensino Fundamental da rede pública — EJA — usuários da Libras como L1 em nível intermediário, aprendizes da LP como L2 em nível básico e da LI como L3 em estágio inicial de aprendizagem. A partir do objetivo geral limitado acima, procurou-se investigar se a transferência lexical entre línguas de modalidades diferentes (espaço-visual e oral-auditiva) podia ser verificada; se havia indícios de transferência das línguas previamente aprendidas (Libras e LP) sobre a LI e se existia relação entre a proficiência adquirida nas línguas anteriores (Libras e LP) sobre a aquisição léxico-semântica da LI. Buscou-se também examinar o tipo de erro mais recorrente entre aprendizes surdos de LI, nativos da Libras, caso a transferência no sentido Libras-LI ocorresse. Da mesma forma, buscou-se investigar o tipo de erro mais comum na LI desses informantes, oriundos da transferência da LP. Os dados foram obtidos por meio da aplicação de três tarefas lexicais, utilizando-se o programa E-Prime, juntamente com um teste de produção de palavras escritas em LI. Os dados do primeiro e segundo objetivos apontaram a existência de transferência parcial entre línguas de modalidades distintas, quais sejam, a Libras (L1) e a LI (L3). Já os dados do terceiro objetivo indicaram que a Libras, língua mais estabilizada, possui um papel mais determinante por desencadear a influência das línguas sobre a LI, ainda que de forma parcial. Por sua vez, o quarto objetivo demonstrou que aprendizes surdos nativos da Libras estão mais sujeitos a cometer erros de ordem quirêmica ou fruto da relação alfabeto manual/letra ao aprender a LI, mas que esse tipo de influência nem sempre se verifica. Os dados do quinto objetivo indicaram a ocorrência, de forma parcial, de erros de transferência da LP sobre a LI. Os resultados alcançados neste estudo estão em consonância com as pesquisas conduzidas com participantes ouvintes e línguas orais, segundo as quais todas as línguas estão ativas na mente de um bi/multilíngue.