Este trabalho apresenta uma pesquisa cujo objetivo foi investigar como atividades que promovem a reflexão de estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental II de uma escola pública periférica da cidade do Rio de Janeiro sobre o contexto socioambiental em que vivem se articulam com as perspectivas da Educação Ambiental Crítica e dos letramentos científico, digital e racial no processo de produção de videocasts. Para isso, foi realizado um ciclo de sete oficinas para construir conhecimento sobre racismo ambiental, integrando conhecimentos do contexto socioambiental local a dados de outros lugares e instituições de pesquisa, resultando em diferentes materiais, como roteiros de gravação, para a produção dos videocasts. Para analisar os materiais, foram elaboradas categorias e indicadores com o intuito de identificar como os letramentos se apresentaram em tais produções. Foram observados avanços no pensamento crítico baseado em evidências e na busca e seleção de fontes de informação confiáveis. Os estudantes demonstraram compreender as desigualdades socioambientais por meio da comparação entre a periferia e zonas nobres. Entretanto, demonstraram dificuldades em evidenciar, por meio de dados, como as questões de raça estão associadas a essas desigualdades. Tais resultados apontam a necessidade de aprofundar discussões sobre questões interseccionais. Como perspectiva, propõe-se ampliar debates sobre raça e racismo para uma compreensão mais abrangente do tema.