Este artigo investiga a aplicação do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a partir da análise de 21 processos registrados no Banco de Decisões e Sentenças criado e mantido pelo Conselho Nacional de Justiça. A análise demonstrou que, embora o Protocolo não seja o único fator determinante para as decisões prolatadas, ele serve como um instrumento importante de reforço argumentativo, dando subsídio para que as magistradas e magistrados adotem uma abordagem metodológica diferenciada e sensível às dinâmicas de gênero. Utilizando "verbos feministas" (enxergar, aproximar, reconhecer, ouvir e agir) como categorias de análise, o estudo identifica uma função do Protocolo enquanto apoio para a construção de uma visão contra hegemônica, no reconhecimento da identidade de gênero, na valoração da palavra da vítima em casos de violência doméstica e na aplicação de medidas protetivas.