O sistema de ensino-aprendizagem evolui gradativamente ao longo das gerações e do tempo. O linguajar de outrora não encontra eco nos estudantes de hoje por diversos fatores: ao meio que vivem, diante das tecnologias que surgem e da própria mentalidade do educando cada vez mais crítico e ativo. Disso deriva o comportamento dentro da sala de aula – que na verdade, o mesmo fato tem dois olhares, dois pontos de vista. O educando em estudo mudou seu comportamento após o pai ter sido “promovido” em seu emprego e ele ter recebido mesada e proposta de trabalho dentro da comunidade em que vivia. Nas comunidades onde o Estado é ausente, o PCC realiza ações assistencialistas distribuindo alimentos e remédios gerando lealdade e silêncio por parte dos moradores (a chamada lei do silêncio). Entretanto, essa boa ação está vinculada a uma troca com os moradores afim de não deixarem suas casas para programas de reurbanização do governo. A facção tem seu próprio código de conduta e regimento, que formata um sistema nas relações entre seus membros. Muitas vezes, isso pode levar a uma redução de crimes violentos a esmo, pois a facção ao proibir tais práticas sem prévia autorização, passa a imagem daqueles que protegem o seu povo, mantendo a ordem e a paz perante a comunidade. Conflitos e desentendimentos são mediados e julgados ela "justiça interna”, também conhecida como "tribunal do crime". Paulo Freire se baseia no respeito e na problematização da realidade do educando e afirma que a educação transforma as pessoas e essas transformam o mundo. O nosso objetivo é mostrar a realidade dos estudantes de maior vulnerabilidade na capital paulista e sua evolução diante da vida e das orientações recebidas despertando sua consciência crítica e permitindo que percebam estruturas opressoras atuando na transformação de suas vidas. (Paulo Freire – “Pedagogia da Esperança” – Editora Paz e Terra, 1992.)