Cuidado, psicologia e educação popular em saúde: um ensaio autoetnográfico e decolonial a partir de experiências em contexto quilombola

Revista Brasileira de Educação do Campo

Endereço:
Avenida Nossa Senhora de Fatima, 1588, Centro, Cep. 77900-000, Tocantinópolis, Tocantins, Brasil. - Centro
Tocantinópolis / TO
77900000
Site: https://periodicos.ufnt.edu.br/index.php/campo
Telefone: (63) 3471-6037
ISSN: 25254863
Editor Chefe: Gustavo Cunha de Araujo
Início Publicação: 31/07/2016
Periodicidade: Anual
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Educação, Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Multidisciplinar

Cuidado, psicologia e educação popular em saúde: um ensaio autoetnográfico e decolonial a partir de experiências em contexto quilombola

Ano: 2026 | Volume: 10 | Número: Não se aplica
Autores: F. R. Fonseca, I. R. da Silva, S. de F. M. Nina
Autor Correspondente: F. R. Fonseca | [email protected]

Palavras-chave: cuidado, quilombo, educação popular em saúde, epistemologias negras, psicologia.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este ensaio insere-se no campo das epistemologias negras e da educação popular em saúde, articulando psicologia, território e práticas de cuidado em contextos quilombolas amazônicos. Parte-se da problematização da deslegitimação dos conhecimentos tradicionais no campo da saúde, marcada pelo racismo estrutural e pelo epistemicídio. O objetivo é refletir sobre o papel da psicologia no diálogo com saberes comunitários, a partir da experiência de uma mulher quilombola. Metodologicamente, trata-se de um ensaio de caráter autoetnográfico e decolonial, que mobiliza a escrita de si presente na Escrevivência, como estratégia epistemológica, articulando experiência, reflexão teórica e análise ancorada no território. Como resultados, evidencia-se que os conhecimentos comunitários constituem tecnologias vivas de cuidado, sustentadas por redes coletivas, afetivas e territoriais, que operam em contraposição à fragmentação do modelo biomédico. Conclui-se que pensar uma psicologia comprometida com territórios negros exige deslocamentos epistemológicos e éticos, reconhecendo outras formas legítimas de produção de conhecimento e cuidado.



Resumo Inglês:

This essay is situated within the field of Black epistemologies and popular health education, articulating psychology, territory, and care practices in Amazonian quilombola contexts. It is grounded in the problematization of the delegitimization of traditional knowledge in the field of health, marked by structural racism and epistemicide. The objective is to reflect on the role of psychology in dialogue with community-based knowledge, drawing from the experience of a quilombola woman. Methodologically, this is a decolonial and autoethnographic essay that mobilizes self-writing present in Escrevivência as an epistemological strategy, articulating lived experience, theoretical reflection, and analysis grounded in territory. The findings highlight that community knowledge constitutes living technologies of care, sustained by collective, affective, and territorial networks that operate in opposition to the fragmentation of the biomedical model. It concludes that thinking about a psychology committed to Black territories requires epistemological and ethical shifts, recognizing other legitimate forms of knowledge production and care.



Resumo Espanhol:

Este ensayo se inscribe en el campo de las epistemologías negras y de la educación popular en salud, articulando psicología, territorio y prácticas de cuidado en contextos quilombolas amazónicos. Parte de la problematización de la deslegitimación de los conocimientos tradicionales en el campo de la salud, marcada por el racismo estructural y el epistemicidio. El objetivo es reflexionar sobre el papel de la psicología en diálogo con los saberes comunitarios, a partir de la experiencia de una mujer quilombola. Metodológicamente, se trata de un ensayo de carácter autoetnográfico y decolonial que moviliza la escritura de sí presente en la Escrevivencia como estrategia epistemológica, articulando experiencia, reflexión teórica y análisis anclado en el territorio. Como resultados, se evidencia que los conocimientos comunitarios constituyen tecnologías vivas de cuidado, sostenidas por redes colectivas, afectivas y territoriales, que operan en contraposición a la fragmentación del modelo biomédico. Se concluye que pensar una psicología comprometida con los territorios negros exige desplazamientos epistemológicos y éticos, reconociendo otras formas legítimas de producción de conocimiento y cuidado.