Esta pesquisa analisa a trajetória e os impactos dos programas de transferência condicional de renda na educação brasileira, com foco no Bolsa Escola, do governo Fernando Henrique Cardoso, e posteriormente o Programa Bolsa Família, desenvolvido no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O estudo parte da crítica de Davies (2002) aos dados oficiais do período 1997-2002, que revela um crescimento inflacionado de matrículas no ensino fundamental devido à incorporação de classes de alfabetização e da EJA, além de indícios de matrículas "fantasmas", expondo as limitações iniciais dessas políticas. Em seguida, utilizando dados do IPEA, a pesquisa demonstra como o trabalho infantil atuava como uma barreira crucial para a frequência escolar, justificando a necessidade de intervenções mais diretas. Por fim, a análise dos resultados de Glewwe e Kassouf atesta a eficácia do consolidado Bolsa Família, que, por meio de suas condicionalidades educacionais, impactou positivamente indicadores-chave: aumentou as taxas de matrícula, enquanto reduziu a evasão e melhorou a promoção escolar. A partir disso, conclui-se que apesar dos desafios iniciais a política de transferência de renda amadureceu e se consolidou como uma ferramenta vital para a inclusão educacional, atuando de forma mais pronunciada entre populações vulneráveis.