O presente artigo discute o desemparedamento da infância como proposta pedagógica que amplia os espaços e tempos de aprendizagem para além da sala de aula, recolocando a natureza, o brincar e as experiências corporais no centro do processo educativo. Fundamentado em pesquisa bibliográfica e em documentos normativos, em especial a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), dialoga com Tiriba, Barbosa, Horn, Kishimoto, Vygotsky, Dewey, Foucault e Louv para analisar fundamentos teórico‑metodológicos, potenciais formativos e desafios institucionais. A discussão contempla estratégias de implementação em contextos públicos, com foco na qualificação de ambientes externos, na gestão do risco, na organização do tempo pedagógico e na documentação das aprendizagens. Apresentam‑se sequências didáticas que integram linguagens, ciências da natureza e matemática em atividades ao ar livre, com ênfase no brincar como eixo estruturante do currículo. Conclui‑se que desemparedar a infância implica deslocar concepções sobre currículo, avaliação e papel docente, garantindo direitos de aprendizagem previstos na BNCC e promovendo o desenvolvimento integral sem abrir mão da intencionalidade pedagógica e do cuidado.