O artigo examina a apropriação de conjuntos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) por milícias e facções do tráfico de drogas, interpretando-a como efeito de uma mudança estratégica nas formas de obtenção de renda ilícita, a qual desloca o foco para o setor imobiliário. A vulnerabilidade dos empreendimentos do MCMV, decorrente de fatores urbanísticos e socioeconômicos e de falhas institucionais, vem sendo explorada por grupos criminosos armados para impor controle coercitivo sobre os moradores. Essa captura compromete a eficácia das políticas sociais e o direito à moradia, enfraquece a autoridade estatal e contribui para perpetuar ciclos de violência e exclusão.
The article examines the appropriation of housing developments under the Minha Casa, Minha Vida (MCMV) program by militias and drug-trafficking factions, interpreting it as the result of a strategic shift in forms of illicit revenue generation that redirects the focus toward the real estate sector. The vulnerability of MCMV developments—stemming from urban-planning and socioeconomic factors as well as institutional failures—has been exploited by armed criminal groups to impose coercive control over residents. This capture undermines the effectiveness of social policies and the right to housing, weakens state authority, and helps perpetuate cycles of violence and exclusion.