Do “esquadrão da morte” ao “urbanismo miliciano”: como a trajetória do crime organizado moldou a captura do Minha Casa, Minha Vida no Rio de Janeiro

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ISSN: 14154951
Editor Chefe: Antonio Aurelio Abi Ramia Duarte
Início Publicação: 31/12/1997
Periodicidade: Anual
Área de Estudo: Administração, Área de Estudo: Ciências Contábeis, Área de Estudo: Direito, Área de Estudo: Turismo, Área de Estudo: Linguística, Área de Estudo: Multidisciplinar

Do “esquadrão da morte” ao “urbanismo miliciano”: como a trajetória do crime organizado moldou a captura do Minha Casa, Minha Vida no Rio de Janeiro

Ano: 2026 | Volume: 28 | Número: Não se aplica
Autores: Luis Antonio Gonçalves Pires
Autor Correspondente: Luis Antonio Gonçalves Pires | [email protected]

Palavras-chave: políticas públicas, habitação, Minha Casa, Minha Vida, organizações criminosas, urbanismo miliciano

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

O artigo examina a apropriação de conjuntos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) por milícias e facções do tráfico de drogas, interpretando-a como efeito de uma mudança estratégica nas formas de obtenção de renda ilícita, a qual desloca o foco para o setor imobiliário. A vulnerabilidade dos empreendimentos do MCMV, decorrente de fatores urbanísticos e socioeconômicos e de falhas institucionais, vem sendo explorada por grupos criminosos armados para impor controle coercitivo sobre os moradores. Essa captura compromete a eficácia das políticas sociais e o direito à moradia, enfraquece a autoridade estatal e contribui para perpetuar ciclos de violência e exclusão.



Resumo Inglês:

The article examines the appropriation of housing developments under the Minha Casa, Minha Vida (MCMV) program by militias and drug-trafficking factions, interpreting it as the result of a strategic shift in forms of illicit revenue generation that redirects the focus toward the real estate sector. The vulnerability of MCMV developments—stemming from urban-planning and socioeconomic factors as well as institutional failures—has been exploited by armed criminal groups to impose coercive control over residents. This capture undermines the effectiveness of social policies and the right to housing, weakens state authority, and helps perpetuate cycles of violence and exclusion.