A saúde mental escolar tornou-se uma preocupação global. Nas últimas décadas, a literatura internacional tem documentado a alta prevalência de problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes, as brechas persistentes no acesso a serviços especializados e a necessidade de construir respostas mais próximas dos espaços cotidianos onde transcorre a vida das infâncias e adolescências (Kieling et al., 2011; Kutash et al., 2006; Weist et al., 2014, 2023). Nesse cenário, a escola passou a ser progressivamente reconhecida como um espaço estratégico para a promoção, a prevenção, a identificação precoce, a intervenção e a recuperação, precisamente porque constitui um dos poucos contextos institucionais que alcança, com algumas ressalvas, de forma contínua e universal, a maior parte da população infantojuvenil (Fazel et al., 2014; Hoover & Mayworm, 2017; Kutcher et al., 2015).