Entre a normatividade e a resistência: Tensões curriculares na implementação da Educação Escolar Quilombola

Revista Brasileira de Educação do Campo

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ISSN: 25254863
Editor Chefe: Gustavo Cunha de Araujo
Início Publicação: 31/07/2016
Periodicidade: Anual
Área de Estudo: Ciências Humanas, Área de Estudo: Educação, Área de Estudo: Linguística, Letras e Artes, Área de Estudo: Multidisciplinar

Entre a normatividade e a resistência: Tensões curriculares na implementação da Educação Escolar Quilombola

Ano: 2025 | Volume: 10 | Número: Não se aplica
Autores: A. J. da Rocha, S. F. Feitosa
Autor Correspondente: A. J. da Rocha | [email protected]

Palavras-chave: invisibilização, educação escolar quilombola, currículo, decolonialidade.

Resumos Cadastrados

Resumo Português:

Este trabalho aborda a invisibilização da identidade quilombola no currículo escolar brasileiro, com enfoque na escola da comunidade quilombola Cabileira, localizada no agreste de Pernambuco. Busca-se analisar de que maneira o Currículo de Pernambuco silencia ou ignora a Educação Escolar Quilombola, mesmo após a institucionalização das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola, em 2012. A pesquisa tem como objetivo compreender os desafios enfrentados para incluir as especificidades culturais e epistemológicas quilombolas nos currículos escolares. Metodologicamente, combina-se revisão bibliográfica e documental com práticas de etnografia decolonial e ações decoloniais, como o contemplar comunal e o conversar alterativo. As análises indicam que o currículo atual perpetua hierarquias coloniais que marginalizam os conhecimentos e práticas culturais dos povos quilombolas, reforçando a exclusão histórica e o racismo epistêmico. Conclui-se que a superação do currículo colonizador e colonizado exige a construção de uma educação decolonial, comprometida com a interculturalidade crítica. Somente por meio da inclusão dos saberes e vivências quilombolas nos currículos escolares será possível valorizar suas histórias e culturas, promovendo uma educação que contribua para a justiça social e o fortalecimento da identidade desses povos.



Resumo Inglês:

 This paper addresses the invisibility of quilombola identity in the Brazilian school curriculum, focusing on the school of the Cabileira quilombola community, located in the hinterland of Pernambuco. It seeks to analyze how the Pernambuco Curriculum silences or ignores Quilombola School Education, even after the institutionalization of the National Curricular Guidelines for Quilombola School Education in 2012. The research aims to understand the challenges faced in including the cultural and epistemological specificities of quilombolas in school curricula. Methodologically, it combines bibliographic and documentary review with decolonial ethnographic practices and decolonial actions, such as communal contemplation and alterative conversation. The analyses indicate that the current curriculum perpetuates colonial hierarchies that marginalize the knowledge and cultural practices of quilombola peoples, reinforcing historical exclusion and epistemic racism. It is concluded that overcoming the colonizing and colonized curriculum requires the construction of a decolonial education committed to critical interculturality. Only by including quilombola knowledge and experiences in school curricula will it be possible to value their histories and cultures, promoting an education that contributes to social justice and the strengthening of the identity of these peoples.



Resumo Espanhol:

Este trabajo aborda la invisibilización de la identidad quilombola en el currículo escolar brasileño, centrándose en la escuela de la comunidad quilombola Cabileira, ubicada en el interior de Pernambuco. Se busca analizar cómo el Currículo Pernambucano silencia o ignora la Educación Escolar Quilombola, incluso después de la institucionalización de las Directrices Curriculares Nacionales para la Educación Escolar Quilombola, en 2012. La investigación tiene como objetivo comprender los desafíos enfrentados en la inclusión de las especificidades culturales y epistemológicas quilombolas en los currículos escolares. Metodológicamente, combina la revisión bibliográfica y documental con prácticas de etnografía decolonial y acciones decoloniales, como la contemplación comunitaria y la conversación alternativa. Los análisis indican que el currículo actual perpetúa jerarquías coloniales que marginan los conocimientos y las prácticas culturales de los pueblos quilombolas, reforzando la exclusión histórica y el racismo epistémico. Se concluye que la superación del currículo colonizador y colonizado requiere la construcción de una educación decolonial comprometida con la interculturalidad crítica. Sólo mediante la inclusión de los conocimientos y experiencias quilombolas en los currículos escolares será posible valorar sus historias y culturas, promoviendo una educación que contribuya a la justicia social y al fortalecimiento de la identidad de estos pueblos.